- Mas que besteira pai, a disney não morre!!!
Prontamente respondi, com uma mente já calcificada:
- Mas o criador da Disney sim...
- O criador??? Mas os filmes não né?
- Os filmes não, mas todas as pessoas morrem!
- Ate você?
- Sim até eu!
Eu acho que com a minha ignorância de adulto, eu apresentei uma ideia que ainda não tinha passado pela sua cabeça: a idéia que eu, o seu pai iria morrer um dia... Ela já experienciou o conceito morte (seu gatinho, seu avô, parentes que estão nas fotos) mas pensar que eu, ou sua mãe um dia morreremos, talvez não tenha passado...
Pensei que talvez, e estou tentando aqui resistir bravamente a tendência sem graça e limitada de reduzir tudo ao mais simples, ela não entenda a morte como eu entendo, e isso não é tão óbvio! Pelo menos pra mim... Pra ela a Disney não morre, porque a disney são os desenhos, é o que ela sente assistindo, são os personagens, é a criação, e pra nós (como são sem graça os adultos!) É o criador, a empresa, seus números, nos importa que a Disney comprou determinada franquia e blá blá blá... Criador totalmente separado de sua criação, pra ela a simples possibilidade de que a Disney pode morrer é ridícula, estará sempre ali pra ser assistido, é eterna; Logo, ela a criação dos seus pais é eterna também! Eu acho que sem querer, sem ter essa intenção, eu fiz ela pensar pela primeira vez que talvez tenha uma chance dela morrer algum dia... Ela não gostou disso, tanto que ficou pedindo pra tirar o video, eu vi nela um incomodo, muito parecido com o meu incomodo, com o incomodo de todas as pessoas, que gosto de entender como um convite, um convite a humanidade.
