quinta-feira, 29 de abril de 2021

Ad aeternum

Eu estava vendo um vídeo do canal do youtube Meteoro hoje (um canal muito legal e com muita informação relevante, num mar de besteiras sem sentido que tem na supracitada plataforma) um vídeo, sobre a "renascença da Disney", de como após a morte do seu criador: Walt Disney, a empresa entrou em queda, de qualidade, financeira e etc... Solara, sempre muito atenta a tudo ao redor dela, estava comendo e exclamou: 
- Mas que besteira pai, a disney não morre!!!
Prontamente respondi, com uma mente já calcificada:
- Mas o criador da Disney sim...
- O criador??? Mas os filmes não né?
- Os filmes não, mas todas as pessoas morrem!
- Ate você? 
- Sim até eu!
Eu acho que com a minha ignorância de adulto, eu apresentei uma ideia que ainda não tinha passado pela sua cabeça: a idéia que eu, o seu pai iria morrer um dia... Ela já experienciou o conceito morte (seu gatinho, seu avô, parentes que estão nas fotos) mas pensar que eu, ou sua mãe um dia morreremos, talvez não tenha passado...
Pensei que talvez, e estou tentando aqui resistir bravamente a tendência sem graça e limitada de reduzir tudo ao mais simples, ela não entenda a morte como eu entendo, e isso não é tão óbvio! Pelo menos pra mim... Pra ela a Disney não morre, porque a disney são os desenhos, é o que ela sente assistindo, são os personagens, é a criação, e pra nós (como são sem graça os adultos!) É o criador, a empresa, seus números, nos importa que a Disney comprou determinada franquia e blá blá blá... Criador totalmente separado de sua criação, pra ela a simples possibilidade de que a Disney pode morrer é ridícula, estará sempre ali pra ser assistido, é eterna; Logo, ela a criação dos seus pais é eterna também! Eu acho que sem querer, sem ter essa intenção, eu fiz ela pensar pela primeira vez que talvez tenha uma chance dela morrer algum dia... Ela não gostou disso, tanto que ficou pedindo pra tirar o video, eu vi nela um incomodo, muito parecido com o meu incomodo, com o incomodo de todas as pessoas, que gosto de entender como um convite, um convite a humanidade.

domingo, 18 de abril de 2021

Mortem

Desde que meu pai faleceu, quer dizer, até antes disso mas intensificado pela morte do seu Mauro, eu venho pensado mais no tema, e agora que Sandro nos deixou eu não consigo parar de pensar no quanto é inexorável e inevitável... Alguém vai dizer: Daaaah óbvio cara, todo mundo vai morrer! Mas sinceramente, você já parou pra pensar na sua morte? Eu dúvido muito, o conceito é abstrato demais, sutil demais pra ser digerido e entendido assim, você só se questiona quando acontece perto, até ai, tudo parece um tanto quanto distante, um tanto quanto permanente, não é?
Nós, seres humanos, nascemos com uma habilidade muito pouco explorada: Dar sentido as coisas (mesmo que nada tenha muito sentido) não entendemos como acontece e o por que de acontecer diversos fenômenos na experiência humana, amor, ódio, medo... Vida ou morte. Porque nascemos? Porque morremos? Qual é o propósito disso?
Gosto de imaginar, e fica tudo no âmbito da imaginação mesmo, que a morte é a manutenção da vida, gosto de usar o exemplo das florestas que jogam folhas, frutos, troncos no chão que morrem para ceder materia orgânica para que outras plantas e microorganismos possam prosperar, meio viagem eu sei, mas talvez seja minha mente limitada tentando arrumar algum sentido para a morte de pessoas que eu amava, morreram porque tinham algum motivo pra morrer, pra que a vida seja possível, tem a morte... Confuso, eu sei... 
Não to aqui tentando arrumar uma explicação definitiva pra você, que talvez esteja lendo ou ouvindo esse texto, eu só estou sofrendo e tentando acalmar minha mente com explicações que podem ser apenas besteiras sem sentido, pode ser que o que ler aqui te ofenda de alguma forma e se for o caso peço desculpas, não é minha intenção te machucar, mas te mostrar que eu também estou triste, eu também perdi alguém, e talvez eu possa te estimular a arrumar uma explicação que possa te trazer algum conforto, que possa fazer possível você continuar.




terça-feira, 10 de setembro de 2019

Zen



Zen é um estado meditativo, uma condição unica, de equilibrio e uno com o Um; uma conscienica cosmica, universal. Como entrar nele? as formulas são inumeras: eliminar o desejo no corção, encontrar o equilibrio, caminho do meio... inumeros.
Parece ser inalcansavel e reservados apenas para pessoas especiais e unicas! eu tambem pensava isso, lia livros de filosofia oriental e achava muito complicado alcancar tamanha sabedoria: Como seres humanos fracos e limitados podem chegar a esse ponto de clareza e discernimento? A resposta era muito simples: Prática!
Buda passou dias meditando em silencio, Cristo 40 dias no deserto, Odin 9 dias dependurado, atravessado por um lança... opa pera aí, então eu preciso me ferir para alcançar esse conhecimento? Sim e não,  mas é necessário determinado nível de sacrifício para que se possa internaliza lo, é preciso deixar para trás, desapegar se da ideia de permanente, seguro e confortável.
Parece um pouco papo de auto-ajuda quando falo assim, mas é algo mais brutal e real do que apenas um sacrifício não literal,vivemos na ilusão de que a felicidade está ali na próxima esquina, que se alcançarmos determinado objetivo (financeiro, social etc...) seremos felizes... E não, chegamos lá e continuamos  a desejar e ficar insatisfeitos com a vida que temos. Desapegar dessa ideia é desapegar da perspectiva que seremos felizes, que seremos bem sucedidos, e isso é cruel... Não SEREMOS felizes, estaremos felizes em alguns momentos e em outros estaremos insatisfeitos, tristes... essa instabilidade é inerente à natureza que se divide em momentos de prosperidade e escassez, e se conectar com esse fluxo é se conectar com o Zen.

Ad aeternum

Eu estava vendo um vídeo do canal do youtube Meteoro hoje (um canal muito legal e com muita informação relevante, num mar de besteiras sem s...